Olá!
Partilho com vocês um pequeno excerto, do que tenho vindo a escrever. Espero que gostem...Espero pelas vossas opinões :)
"Profecia"
"- Eu sei que não nos conhecemos bem, mas quero que saibas que podes falar comigo se quiseres! – Disse-lhe.
Ryan permaneceu em silêncio e, de olhar fixo no chão, até chegarmos à sala do auditório.
- Por vezes, algumas pessoas desaparecem sem deixar rasto, sem pistas, nada… - Ryan começou a desabafar – simplesmente desaparecem e nunca mais as voltamos a ver. Outras são encontradas mortas com o corpo drenado, sem uma gota de sangue.
“Sem uma gota de sangue”.
Aquela frase arrepiou-me, de uma forma estranha lembrava os meus pesadelos. No meu último pesadelo estava rodeado de corpos mortos num lençol de sangue e eu como principal responsável daquela carnificina sanguinária.
- Não foi sempre assim… - Ryan continuou – mas nos últimos dias estes casos têm aumentado…
- Eu não sabia de nada…
- As autoridades não querem que se espalhe, dizem que é para evitar o pânico.
- Mas não tem pistas do que poderá causar estes estranhos desaparecimentos? – Questionei-o.
- Dizem que é um animal selvagem, e que estão a fazer de tudo para o conseguir apanhar… - os seus olhos desviaram-se para um dos posters colado na parede – e… agora foi a Alice – e fechou-se novamente entrando para o auditório.
Fiquei a olhar o poster com a fotografia de Alice. A jovem estudante tinha um largo sorriso, podia-se perceber que era feliz… um sorriso agora apagado por um animal selvagem. Mas que tipo de animal selvagem era capaz de drenar um corpo? Que animal se alimenta de sangue? E, porque aparecem apenas alguns corpos? O que acontece aqueles que nunca mais voltam? Tudo aquilo era muito estranho, tinha de haver alguma explicação.
Uma mão firme apertou-me o ombro – estremeci.
- Então, vamos entrar ou ainda a ganhar coragem – Dr. Lohan ria às gargalhadas – ora não me diga que o assustei assim tanto na minha última aula – gracejou.
- Não… estava só a pensar no que terá acontecido à rapariga da fotografia – disse.
- Oh, sim é verdade, uma tragédia… - ao olhar para a fotografia, o seu semblante transformou-se numa mistura de tristeza e revolta – era minha aluna, uma promessa da medicina. Estava no segundo ano e era a melhor. Só nos resta esperar que ela seja uma excepção e apareça sã e salva – encaminhou-me para dentro.
O ambiente no auditório estava pesado. Ryan sentou-se no fundo completamente sozinho, mantinha o rosto baixo parecia que tinha medo de encarar o mundo que o rodeava.
Sentei-me ao seu lado.
- Lamento muito! – Disse-lhe baixando a voz.
Ryan nem se moveu, permaneceu imóvel durante toda a aula – os olhos presos no vazio, o seu corpo estava dentro daquele auditório, sentado bem ao meu lado, mas a mente voou para bem longe dali.
Não conseguia imaginar a dor que ele sentia, se fosse Kelly a desaparecer não sei o que seria capaz de fazer, não sei se aguentaria tanto sofrimento. Só imaginar essa possibilidade deixa-me completamente perdido, lembro-me da sensação de desespero que senti no peito ao vê-la no meu pesadelo pálida no meio de todos aqueles corpos moribundos cobertos de sangue a agonizar… não ia suportar.
A aula de hoje foi mais suave que a última. Dr. Lohan foi sensível a toda aquela situação e ao sofrimento dos seus alunos e por isso não aprofundou muitos conceitos, optou por fazer uma revisão da aula anterior de uma forma leve e suave. No auditório ecoava um silêncio profundo apenas interrompido pela voz do professor, quando deu por terminada a aula, todos começaram a sair sem fazer ruído. Fui ao encontro dele que ainda estava a arrumar os seus apontamentos na pasta – não seria a melhor altura para o fazer, mas queria convidá-lo para a inauguração da galeria de Sara.
- Professor?!
- Sim!
- Talvez não seja a altura indicada, mas se me permitir gostaria de convidá-lo para a inauguração da galeria da minha mãe amanhã à tarde.
Dr. Lohan levantou o rosto na minha direcção.
- Galeria?! – Levantou o sobrolho – Claro que sim, vai ser um prazer. Obrigado pelo convite, Alex.
- Eu é que agradeço a sua presença – entreguei-lhe um pequeno papel – esta é a morada.
Dr. Lohan assentiu, guardou o pequeno papel no bolso e saiu do auditório.
Ao fundo, Ryan continuava imóvel no mesmo lugar, o caderno aberto sem uma única linha escrita, a mesma postura com que se tinha sentado e o olhar perdido – um aventureiro que perdeu a sua bússola. Percebi que Alice não era uma simples amiga do curso, mas sim algo mais os unia: um amor, uma paixão.
Sentei-me ao seu lado.
- Foi esta noite que ela desapareceu? – Interpelei-o.
Ryan assentiu.
- Apenas passou uma noite, pode ser que não tenha acontecido nada e, ela reapareça…
Ryan olhou-me directamente, tinha os olhos húmidos.
- Agradeço a tua tentativa de me dar alguma esperança mas… - suspirou – ela não vai voltar, foi mais uma vítima deste animal misterioso… - e, levantou-se lentamente."
NOVO HORIZONTE
um lugar de partilha
Sunday, September 4, 2011
Friday, June 3, 2011
Sunday, May 29, 2011
Wednesday, March 30, 2011
Wednesday, March 16, 2011
Saturday, March 5, 2011
Perspectiva
Por vezes as coisas são completamente diferentes pelo simples facto de as vermos de outra perspectiva. Não está em causa a publicidade mas apenas a ideia (que até já foi usada em outros âmbitos).
Thursday, March 3, 2011
“To love. To be loved. To never forget your own insignificance. To never get used to the unspeakable violence and the vulgar disparity of life around you. To seek joy in the saddest places. To pursue beauty to its lair. To never simplify what is complicated or complicate what is simple. To respect strength, never power. Above all, to watch. To try and understand. To never look away. And never, never, to forget.”
- Arundhati Roy (via kari-shma)
- Arundhati Roy (via kari-shma)
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